A decadência do Ensino no Brasil é notória. Ela já possui diagnóstico e ele é mais evidente do que parece. Basta respondermos uma questão simples: o que é diferente daquilo que as gerações anteriores aos dos atuais avós (nascidos até os anos 50) tinham nas escolas? Educadores, com suas formações técnicas e intelectuais, sua vocação, seus valores e noções de trato, os meios, com as tecnicalidades cerceadoras, a legislação, as diretrizes, as prioridades… Enfim, não são poucas as diferenças, sendo algumas abissais.
Mas todas elas culminam numa incapacidade, ou falta de desejo, ou falta de recursos, para a indispensável individualização da atenção aos alunos, o papel aconselhador, acolhedor, instrutor, e finalmente a entrega daquilo que todo educador que se prese, sabe “de traz para frente”, que é algo distinto para cada indivíduo. Massificação de proposta pedagógica e principalmente da abordagem, é crescente e já atingiu até a reversão de uma tendência, que há décadas não se via, a de que a Humanidade não só deixou de ampliar o conhecimento, como perdeu parte do crescimento sempre verificado.
Não será com uma única fórmula, que seres tão singulares, encontrarão a sua evolução. A tomada silenciosa por esse preceito já dá mostras da involução de quantidade significativa de membros da sociedade, principalmente os intelectualmente marginalizados.
Países que contam com a figura do “Councelor”, na pessoa de um profissional altamente preparado para direcionar os grupos de alunos, inclusive com o alinhamento de perfil entre eles e os estudantes, colhem jovens que irão constituir os corpos discentes mais capazes, no ensino superior ou profissionalizante. Esses países, estão na vanguarda da inventividade, da alta tecnologia, gozam de alta produtividade, e ocupam o topo das Cadeias de Valor. Com cérebros mais preparados (“máquinas” mais capazes), a energia e os recursos necessários para a Pesquisa Científica gerar resultados, é proporcionalmente menor. Ter melhores cérebros, pessoas mais produtivas, gera economia, enquanto se tem mais, melhores e mais rápidos resultados. Portanto, o acompanhamento pedagógico, o aconselhamento, a proximidade com uma “Decisão Acadêmica” mais inclinada para o resultado, é a semente da prosperidade.
Conclusão
A falta de acompanhamento pedagógico está intimamente relacionado à ruína da Educação Formal. Quem dirá do segmento de línguas, que sequer é regulado. Não que ele deva ser; afinal, regulação não é equivalente a “melhores escolhas”. Porém, a suscetibilidade desse mercado ao oportunismo, não difere de muitos, dum país onde austeridade é exceção. O que esse segmento mais tem, são os meios que não dão resultado. Se isso não fosse verdade, não teríamos menos de 3 a 4% de brasileiros fluentes em outras línguas, e não teríamos quase a totalidade dos que buscam aprender, frustrados em não conseguir. A diferença é que nele, o oportunismo (vender e não entregar) está distante de encontrar um limite, pois a proporção de pessoas dispostas (precisam ou querem) a falar outra língua, ainda é infinitamente maior do que a que efetivamente se propõe. E enquanto essa porção, somada à parcela que tenta e não consegue, seguir da magnitude que é, sempre haverá quem irá recorrer àquela alternativa desqualificada, que não foi tentada.


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